quarta-feira, 18 de maio de 2011

A transformação da educação em mercadoria

Uma boa formação educacional é fundamental para a integração do indivíduo na sociedade. Esta formação compreende desde uma base sólida, até os níveis mais avançados de aprendizado.

Na sociedade atual, com uma competitividade cada vez maior, quanto mais rico o seu currículo, mais chances de se conseguir o ingresso ao mercado de trabalho. Uma vez que o acesso as informações está cada vez mais fácil, tem-se um maior acesso ao conhecimento, também os critérios de seleção estão cada vez mais rigorosos. E são esses critérios que decidirão quem está apto ou não a conseguir uma boa vaga. Ou, conforme as ideias de Bauman, encontradas em seu livro O mal-estar da pós-modernidade, no seu primeiro capítulo (O sonho da Pureza), podemos dizer que esses critérios fazem a distinção entre, o “puro” e o “impuro”, o incapaz e o capacitado.

Além disso, existe uma pressão por parte da sociedade. O poder exercido para manipular os indivíduos se dá através das próprias instituições de ensino. São diversas as maneiras por meio das quais a sociedade pune o indivíduo que não se adequa aos seus ideais padrões de conduta. Seja por excluí-lo de determinados espaços, seja por tratá-lo pejorativamente, seja deixando-o à margem, no limbo social. Indubitavelmente, a educação formal é um instrumento exemplar para que tal exclusão seja constatada. Quem não a possui está sistematicamente condenado ao fracasso social, imposto para todos aqueles que não adentram nos moldes estabelecidos pelo sistema formal de educação. Na obra Vigiar e punir, Foucault assinala que “dentro e fora do sistema judiciário, na prática penal cotidiana, vemos formar-se uma estratégia para o exercício do poder de castigar” (Foucault, 1987, p. 102). Nessa perspectiva, são castigados todos aqueles indivíduos que não galgaram os degraus estabelecidos pelo sistema formal de educação. Os tais possuem os diplomas conferidos pelas Unidades de Ensino e, por isso, estão fora dos lugares de prestígios oferecidos por meio de concursos, etc.

Toda essa pressão, essa necessidade de subir cada vez mais de nível, tem causado, ao longo das gerações, uma mudança no foco das pessoas, em relação ao futuro profissional. Deseja-se ir cada vez mais longe, buscar cada vez mais conhecimento, conteúdo. Essa incessante busca despertou o olhar do mercado e tem provocado um processo de comercialização da educação. A questão é: de que maneira esse conhecimento tem sido passado às pessoas? A educação oferecida hoje pelas instituições de ensino superior tem sido feita efetivamente com qualidade? E, existe, de fato, ante o crescido número de ofertas de cursos por parte do mercado capitalista, um meio que o Estado utilize para controlar essa demanda?

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